Recursos bilionários destinados à renovação de caminhões e ônibus avançaram rapidamente, concentraram-se nas empresas transportadoras e deixaram apenas uma faixa específica disponível, enquanto o prazo definido e a análise conduzida por bancos credenciados colocam os transportadores autônomos na disputa pela parcela final do programa.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social já aprovou R$ 20 bilhões em financiamentos para renovar caminhões e ônibus, comprometendo 95% dos cerca de R$ 21 bilhões oferecidos pela linha Mais Mobilidade, vinculada ao programa Move Brasil.
Como a maior parte do orçamento foi direcionada às empresas transportadoras, o saldo disponível ficou restrito à reserva criada para transportadores autônomos de cargas, que ainda podem apresentar propostas enquanto houver recursos e antes do encerramento do prazo operacional.
Segundo dados divulgados pela AutoData nesta quinta-feira (30), mais de 19 mil operações foram aprovadas desde o início do programa, com tíquete médio próximo de R$ 1 milhão e alcance em 1.966 municípios de todas as regiões brasileiras.
Empresas absorveram quase todo o crédito
Entre os beneficiários, os frotistas concentraram R$ 19,1 bilhões em aproximadamente 17,2 mil contratos, parcela que praticamente consumiu o limite destinado às pessoas jurídicas e aos empresários individuais ligados ao transporte rodoviário ou urbano de cargas e passageiros.
Desse volume, R$ 2 bilhões foram usados especificamente para financiar ônibus, enquanto o restante atendeu operações relacionadas à aquisição de caminhões, caminhões-tratores, micro-ônibus e implementos rodoviários enquadrados nas regras estabelecidas pelo banco público de desenvolvimento.
Em comparação, os profissionais independentes tiveram cerca de R$ 900 milhões aprovados em aproximadamente 2,1 mil operações, mantendo participação menor tanto no número de contratos quanto no montante financeiro já comprometido durante a execução da linha.
Esse desequilíbrio ajuda a explicar por que as empresas já não encontram o mesmo espaço para novas solicitações, embora o programa permaneça formalmente vigente, enquanto caminhoneiros autônomos ainda podem disputar a parcela reservada especificamente ao seu perfil de atuação.
Quem ainda pode solicitar financiamento
Pelas regras do programa, a linha atende transportadores autônomos de cargas, pessoas físicas associadas a cooperativas, empresários individuais e pessoas jurídicas do transporte rodoviário ou urbano, mas a disponibilidade atual está concentrada na faixa dos profissionais independentes.
No caso dos veículos elegíveis, o BNDES permite financiar caminhões e caminhões-tratores novos ou seminovos, além de ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários novos, desde que todos atendam aos critérios técnicos e de credenciamento definidos pela instituição.
Para autônomos e cooperados, o prazo do financiamento pode chegar a 120 meses, incluindo até 12 meses de carência, enquanto garantias, análise de crédito e decisão sobre a aprovação permanecem sob responsabilidade das instituições financeiras credenciadas.
A partir dessa estrutura, o interessado deve procurar o banco com o qual mantém relacionamento ou consultar a rede habilitada, apresentar a documentação solicitada e aguardar a análise antes de a proposta seguir para homologação pelo BNDES.
Ainda que exista saldo, a contratação não é automática, porque cada agente financeiro aplica suas próprias políticas de crédito, avalia as garantias apresentadas e pode aceitar ou recusar a operação mesmo quando o pedido atende aos requisitos gerais do programa.
Também não há valor mínimo obrigatório para a operação, enquanto o limite pode chegar a R$ 50 milhões por cliente, condição geral que não elimina a avaliação individual da capacidade de pagamento e das garantias exigidas pelo agente responsável.
Prazo para novas operações termina em 28 de agosto
Quanto ao calendário, o período para protocolar operações no sistema do BNDES vai até 28 de agosto de 2026, mas o encerramento pode ocorrer antes caso o valor reservado aos autônomos seja integralmente comprometido pelas propostas encaminhadas.
A velocidade da procura ajuda a dimensionar o esgotamento antecipado, pois o programa chegou a registrar quase 1,4 mil aprovações em um único dia, segundo declaração do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, reproduzida pela AutoData.
Por meio de uma rede de agentes parceiros que, conforme o banco, alcança 94% do território nacional, os financiamentos chegaram a quase dois mil municípios e ampliaram o acesso de empresas e profissionais ao crédito voltado à renovação de frota.
Mesmo com essa capilaridade, o dinheiro não foi consumido de maneira equilibrada entre as categorias, já que as empresas absorveram quase todo o orçamento aprovado, enquanto os transportadores autônomos utilizaram apenas uma parcela menor da reserva destinada ao grupo.
Na prática, os caminhoneiros independentes são os únicos participantes que ainda podem encaminhar novas operações, desde que encontrem uma instituição participante, cumpram as exigências de crédito e concluam o protocolo dentro da vigência estabelecida para o programa.
Com o saldo diminuindo e a procura já demonstrada desde a abertura da linha, quantos transportadores autônomos conseguirão formalizar suas propostas, superar a análise de crédito e garantir o financiamento antes que a última parcela do orçamento seja totalmente comprometida?







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