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Confiança demais atrapalha motoristas: estudo revela que 90% se sentem seguros, mas apenas 45% dos especialistas concordam; excesso de confiança em tecnologias pode estar por trás de 1,2 milhão de mortes no trânsito todos os anos

Estudo revela excesso de confiança de motoristas em tecnologias, enquanto especialistas alertam para riscos e mortes no trânsito mundial.
Estudo revela excesso de confiança de motoristas em tecnologias, enquanto especialistas alertam para riscos e mortes no trânsito mundial.

Percepção de segurança ao volante contrasta com avaliações técnicas e expõe riscos associados à distração, ao comportamento dos condutores e ao uso inadequado de recursos eletrônicos, enquanto novos modelos e fabricantes chineses ampliam a transformação do mercado automotivo brasileiro.

Um levantamento internacional revelou uma diferença expressiva entre a segurança percebida pelos usuários das vias e a avaliação de profissionais responsáveis por projetar, operar e fiscalizar sistemas de mobilidade em alguns dos maiores mercados automotivos do mundo.

Embora 90% dos entrevistados afirmem sentir-se seguros durante os deslocamentos diários, somente 45% dos especialistas compartilham dessa confiança, indicando que a percepção dos motoristas nem sempre acompanha os riscos identificados por profissionais do setor.

Produzido pela Economist Enterprise, braço empresarial do The Economist Group, com apoio da Brembo, o estudo “Safety in Motion: Driving Trust in Modern Mobility” ouviu 6.157 pessoas, entre elas mais de mil especialistas ligados ao transporte e à mobilidade.

Ao todo, a pesquisa reuniu participantes do Brasil, China, França, Alemanha, Índia, Itália, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido e Estados Unidos, permitindo comparar diferentes comportamentos, estruturas viárias e percepções relacionadas à segurança no trânsito.

Estudo revela excesso de confiança de motoristas em tecnologias, enquanto especialistas alertam para riscos e mortes no trânsito mundial.
Estudo revela excesso de confiança de motoristas em tecnologias, enquanto especialistas alertam para riscos e mortes no trânsito mundial.

Nesse cenário, os resultados sugerem que a confiança nos veículos e nos recursos eletrônicos pode avançar mais rapidamente do que a compreensão sobre seus limites, especialmente quando sistemas de assistência são confundidos com tecnologias capazes de substituir o motorista.

Segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde, aproximadamente 1,16 milhão de pessoas morrem todos os anos em ocorrências de trânsito, realidade que reforça a necessidade de combinar evolução tecnológica, fiscalização, educação viária e comportamento responsável.

Brasil concentra uma das maiores diferenças de percepção

Entre os mercados avaliados, Brasil, China e Índia formaram o grupo com a maior distância entre a confiança manifestada pelos usuários e a avaliação apresentada pelos especialistas que acompanham riscos, infraestrutura e comportamento no trânsito.

Nesses três países, 94% das pessoas disseram confiar na segurança de seus deslocamentos, enquanto apenas 18% dos profissionais demonstraram percepção semelhante, diferença que evidencia uma leitura mais otimista por parte dos usuários das vias.

Considerados em conjunto, esses mercados registraram taxa média de 16,2 mortes por 100 mil habitantes, resultado quase duas vezes superior à média de 8,1 observada entre todos os países incluídos no levantamento internacional.

Enviado especial do secretário-geral das Nações Unidas para a segurança viária e ex-presidente da Federação Internacional do Automóvel, Jean Todt afirmou que a confiança favorece a mobilidade, mas pode estimular riscos quando deixa de acompanhar as evidências disponíveis.

Sistemas de assistência exigem atenção permanente

Em vez das falhas mecânicas tradicionalmente associadas aos acidentes, a eletrônica embarcada passou a ocupar o centro das preocupações apresentadas pelos profissionais consultados durante a elaboração do estudo sobre segurança e mobilidade.

Estudo revela excesso de confiança de motoristas em tecnologias, enquanto especialistas alertam para riscos e mortes no trânsito mundial.
Estudo revela excesso de confiança de motoristas em tecnologias, enquanto especialistas alertam para riscos e mortes no trânsito mundial.

Somente 3% apontaram defeitos mecânicos como principal origem dos problemas, enquanto 30% destacaram o uso incorreto ou a compreensão limitada dos sistemas avançados de assistência ao motorista, conhecidos pela sigla Adas.

Por outro lado, 24% dos especialistas mencionaram recursos capazes de desviar a atenção da via, incluindo navegação, entretenimento e integração com celulares, especialmente quando chamadas, mensagens ou comandos são utilizados durante a condução.

O risco cresce quando o motorista interpreta a assistência eletrônica como autorização para reduzir a vigilância, ignorar as condições ao redor ou transferir ao veículo decisões que continuam dependendo de atenção e intervenção humana.

Recursos Adas podem executar frenagens automáticas, monitorar pontos cegos, emitir alertas e auxiliar na permanência em faixa, contribuindo para evitar acidentes ou reduzir a gravidade de situações identificadas pelos sensores do automóvel.

Ainda assim, esses sistemas dependem de condições específicas de funcionamento e não substituem a responsabilidade de quem dirige, principalmente em cenários inesperados, mudanças repentinas de tráfego ou situações que exigem reação imediata.

Marcas chinesas ampliam a disputa no Brasil

Além da segurança viária, Fernando Calmon aborda nesta semana o avanço das fabricantes chinesas no mercado nacional, movimento acompanhado por novos investimentos, projetos industriais e estratégias destinadas a ampliar a presença dessas empresas no país.

Murilo Briganti, executivo-chefe de operações da Bright Consult, projeta crescimento de aproximadamente 500 mil veículos no mercado brasileiro até 2030, enquanto as marcas chinesas poderiam acrescentar mais de 700 mil unidades durante o mesmo período.

“À primeira vista, a conta parece não fechar”, escreveu o consultor ao analisar uma disputa na qual o crescimento total do mercado pode não ser suficiente para acomodar todos os fabricantes interessados em ampliar vendas e produção.

Nesse processo, as alternativas consideradas envolvem construção de fábricas próprias, acordos com grupos já instalados e aproveitamento de estruturas industriais disponíveis, caminhos que permitem acelerar operações sem necessariamente iniciar projetos produtivos inteiramente novos.

Geely, GWM, Wuling, MG, Jetour, Leapmotor, Dongfeng, Chery, GAC, Changan e BYD aparecem entre as companhias mencionadas com planos de ampliar a atuação industrial, embora cada projeto dependa de cronogramas e estratégias individuais.

Estudo revela excesso de confiança de motoristas em tecnologias, enquanto especialistas alertam para riscos e mortes no trânsito mundial.
Estudo revela excesso de confiança de motoristas em tecnologias, enquanto especialistas alertam para riscos e mortes no trânsito mundial.

Renault Boreal Techno reúne espaço e equipamentos

No Renault Boreal Techno 2026, o motor 1.3 turbo flex associado ao câmbio automatizado de seis marchas apresentou respostas rápidas durante trajetos urbanos e rodoviários, acompanhadas por um acerto de suspensão voltado ao conforto.

Com potência de até 163 cv abastecido com etanol e torque de 27,5 kgf·m, o conjunto mecânico combina desempenho adequado para o uso cotidiano com trocas de marcha rápidas em diferentes condições de circulação.

Dentro da cabine, o SUV oferece bom espaço para os ocupantes traseiros, porta-malas de 522 litros, duas telas de 10 polegadas, carregador de celular por indução, console refrigerado e sensores de estacionamento.

O pacote de segurança reúne frenagem autônoma de emergência, alerta de tráfego traseiro transversal, monitoramento de ponto cego e aviso de saída dos ocupantes, enquanto o preço informado para a versão Techno é de R$ 199.990.

Jetour T2 XWD aposta na capacidade fora de estrada

Já a versão XWD 4×4 do Jetour T2 acrescenta um terceiro motor elétrico no eixo traseiro ao conjunto híbrido plugável, ampliando a capacidade de tração e reforçando a proposta voltada ao uso fora de estrada.

Formado por um motor 1.5 turbo a gasolina e três propulsores elétricos, o sistema entrega 597 cv e 91,7 kgf·m de torque combinado, números elevados para um veículo com massa de 2.362 quilos.

Mesmo com esse peso, o utilitário acelera de zero a 100 km/h em 5,5 segundos, enquanto a bateria de 43,24 kWh permite percorrer até 106 quilômetros utilizando somente energia elétrica.

De acordo com os dados divulgados, a autonomia combinada alcança 1.300 quilômetros, e o conjunto destinado a terrenos difíceis inclui tração integral inteligente, bloqueio eletrônico do diferencial traseiro e oito modos de condução.

Entre as funções disponíveis estão recursos capazes de reduzir o diâmetro de giro e controlar automaticamente aceleração e frenagem em baixa velocidade, soluções desenvolvidas para facilitar manobras e travessias em superfícies com menor aderência.

Com automóveis cada vez mais potentes, conectados e automatizados, a evolução da segurança dependerá somente do avanço das máquinas ou também da capacidade dos motoristas de compreender e respeitar os limites de cada tecnologia?

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações…

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