O que a luz de pressão dos pneus avisa e por que ela não substitui a calibragem

A luz do TPMS alerta para pressão baixa ou falha no monitoramento. Veja como medir os pneus a frio, investigar vazamentos e seguir a especificação do veículo.

Luz de pressão dos pneus acesa em painel de carro
O alerta indica que ao menos um pneu precisa de verificação.

A luz em formato de pneu com ponto de exclamação é o aviso do sistema de monitoramento de pressão, conhecido como TPMS. Ela indica que ao menos um pneu está significativamente abaixo da pressão esperada, mas não informa sozinha a causa nem substitui a calibragem manual.

A National Highway Traffic Safety Administration explica que o sistema pode usar sensores nas rodas ou dados de velocidade para alertar o motorista. A pressão recomendada continua sendo a indicada na etiqueta do carro ou no manual, medida com os pneus frios.

O que fazer quando a luz aparece

A variação de temperatura pode influenciar a pressão, mas não é motivo para ignorar o aviso do painel, afirma Fabio Magliano, consultor de treinamentos e produtos da Pirelli para a América Latina. A recomendação é medir os pneus a frio e verificar perda lenta, prego, corte ou vazamento na válvula. Se a calibragem estiver correta e o alerta persistir, o sistema pode precisar de recalibração ou de avaliação do sensor. “O correto é medir os pneus a frio, conferir se há perda lenta, prego, corte ou vazamento na válvula”, diz Magliano, em entrevista ao Farol1.

Procure um local seguro para olhar os pneus. Corte, bolha, objeto preso ou perda evidente de ar exigem providência diferente de uma pressão apenas abaixo do recomendado. Não encha pelo número gravado no flanco: ele não é, em geral, a pressão de uso do veículo.

Verificação da pressão de um pneu com calibrador
A pressão correta deve ser conferida com medidor e pela especificação do veículo.

Por que o TPMS não substitui a rotina

O alerta costuma disparar quando a pressão já caiu de modo relevante. Esperar a luz acender não é manutenção. A NHTSA recomenda conferir todos os pneus, inclusive o estepe quando aplicável, uma vez por mês e com o carro parado por tempo suficiente para que os pneus estejam frios.

Temperatura ambiente também altera a leitura. Em manhãs frias, uma pressão perto do limite pode acionar o aviso e apagá-lo depois que o pneu aquece. Isso não é motivo para ignorar a situação: é um sinal para medir e comparar com a etiqueta do veículo.

Luz fixa e luz piscando

Em muitos sistemas, a luz fixa aponta baixa pressão. Quando ela pisca e permanece acesa, pode haver falha no próprio monitoramento, caso em que o manual e uma inspeção são necessários. A convenção exata muda por modelo; a interpretação final deve seguir o manual daquele carro.

Direto e indireto: o que muda na leitura

A NHTSA distingue duas formas de monitoramento. O sistema direto utiliza sensores nos pneus; o indireto usa informações de velocidade das rodas e outros sensores do veículo para reconhecer uma condição compatível com perda de pressão. Isso explica por que alguns carros mostram valores individuais no painel e outros oferecem somente um aviso.

Não se deve concluir, pela ausência de um número, que todos os pneus estão calibrados. Olhar o formato da borracha também não basta: a NHTSA ressalta que baixa pressão pode ser difícil de perceber visualmente. A comparação útil é entre uma medição com calibrador e a especificação correspondente ao carro.

Frio significa medir antes do aquecimento pelo uso

Na orientação da NHTSA, pneus frios são os de um veículo que não rodou por pelo menos três horas. O critério evita comparar uma pressão elevada pelo aquecimento da rodagem com a referência de uso a frio. Não significa procurar o dia mais frio do mês nem adotar a mesma pressão para todos os carros.

Confira também se a etiqueta prevê valores diferentes entre eixos ou conforme a carga. O número usado na dianteira pode não ser o previsto para a traseira. Anotar as pressões encontradas ajuda a perceber se um pneu volta a perder ar depois da correção, situação que merece inspeção em vez de sucessivos apagamentos do aviso.

Reiniciar o sistema não corrige um pneu vazio

O manual da Ford consultado descreve um sistema que exige reinicialização após certos ajustes ou mudanças na posição das rodas. Primeiro vem a conferência e a correção da pressão; depois, o procedimento previsto para que o monitoramento trabalhe com a configuração correta. A instrução é daquele sistema e não estabelece um botão ou sequência universais.

O documento também distingue as referências dos eixos dianteiro e traseiro. Ao realizar rodízio ou trocar pneus, informe à oficina que o veículo possui monitoramento e peça a aplicação da rotina do manual. Apagar a luz sem medir não confirma que o problema foi resolvido, e uma indicação persistente depois do procedimento deve ser investigada.

Não há uma calibragem única de 30, 32 ou 35 psi que resolva todo aviso. A pressão depende da especificação do veículo, da condição de carga e da referência a frio. Se o pneu apresentar dano ou não conseguir manter o valor indicado, a prioridade é reparar a causa conforme avaliação profissional, não ensinar ao sistema uma condição inadequada.

O cuidado com pressão complementa a leitura da medida. Entender largura, perfil e aro ajuda na compra; calibrar pela etiqueta correta ajuda a manter o conjunto na condição prevista pelo fabricante.

Valdemar Medeiros

Repórter de Automotivo

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99,…

Experiência:
Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Fala sobre Indústria Automotiva e Tecnologia Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com

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