Expansão da Chery no Brasil reúne novas marcas, plataformas eletrificadas e veículos de grande porte em uma estratégia capaz de igualar o grupo à Stellantis em número de bandeiras, enquanto amplia a presença chinesa entre consumidores de diferentes segmentos.
A Chery International prepara uma expansão que poderá levar o grupo a reunir seis marcas no Brasil, número equivalente ao da Stellantis, ao combinar Lepas, iCaur, Freelander e Luxeed com as operações nacionais já mantidas por Omoda Jaecoo e Jetour.
Conforme apuração da Autoesporte, Freelander e Luxeed são estudadas para estrear no país a partir de 2027, dentro de um projeto conduzido pela estrutura brasileira da Omoda Jaecoo, responsável por rede, planejamento de produtos, marketing e suporte operacional.
Fora desse arranjo permanece a Caoa Chery, joint venture formada pela montadora chinesa e pelo grupo brasileiro Caoa, cuja atuação não integra o braço internacional sediado em Wuhu nem os planos relacionados às novas bandeiras previstas para o mercado nacional.
Chery pode reunir seis marcas no Brasil

Nesse desenho, as concessionárias manteriam identidades visuais independentes, embora pudessem ocupar o mesmo terreno quando houvesse viabilidade comercial, com showrooms fisicamente separados e áreas de oficina compartilhadas entre as marcas pertencentes ao mesmo grupo automotivo.
Além de reduzir custos operacionais, essa organização permitiria concentrar serviços de manutenção em uma estrutura comum, sem eliminar a diferenciação comercial necessária para posicionar cada marca diante de públicos, faixas de preço e propostas de uso distintas.
Freelander retorna como marca independente
Apresentado como primeiro produto da nova fase, o Freelander 8 é um SUV de grande porte desenvolvido no projeto conjunto entre Chery e Jaguar Land Rover, com início das vendas na China previsto para o fim de 2026.
Embora recupere um nome conhecido dos utilitários britânicos, a Freelander funcionará como marca independente, pois a JLR licenciou a denominação à joint venture Chery Jaguar Land Rover para formar uma família eletrificada separada de Jaguar, Range Rover, Defender e Discovery.

Com 5,12 metros de comprimento, 2,05 metros de largura, 1,90 metro de altura e 3,04 metros entre os eixos, o novo modelo supera as dimensões do antigo Freelander e se aproxima dos maiores SUVs de três fileiras disponíveis no mercado.
Sob a carroceria, a plataforma E0X utiliza arquitetura elétrica de 800 volts e aceita configuração híbrida de autonomia estendida, sistema em que o propulsor a combustão funciona principalmente como gerador para alimentar o conjunto elétrico responsável pela movimentação.
Na cabine, o projeto reúne acabamento com madeira, alumínio e outros materiais de padrão elevado, além de um painel panorâmico de 46,3 polegadas instalado junto ao para-brisa e uma central multimídia adicional de 17,3 polegadas.
Para ampliar o conforto dos ocupantes, o interior terá três fileiras de assentos e um compartimento capaz de resfriar ou aquecer bebidas e alimentos, operando em uma faixa informada entre menos 6 e 50 graus Celsius.
Luxeed combina Chery e tecnologia da Huawei
Criada em parceria com a Huawei, a Luxeed ocupa uma faixa mais sofisticada da estratégia e combina a plataforma E0X com soluções eletrônicas da empresa de tecnologia, entre elas o HarmonyOS e o sistema de assistência Huawei ADS.
Hoje, a gama chinesa reúne o sedã S7, o SUV cupê R7 e a minivan V9, modelo que parte de 389,8 mil yuans, possui 3,25 metros entre os eixos e alcança 1.320 quilômetros no ciclo chinês CLTC.

Com quase 5,40 metros de comprimento, a V9 oferece sete lugares em configuração 2+2+3, reservando à segunda fileira duas poltronas individuais equipadas com funções de reclinação, aquecimento e ventilação para viagens de maior duração.
Dependendo da configuração, as versões híbridas de autonomia estendida podem adotar tração dianteira ou integral, enquanto a proposta interna aproxima a minivan de modelos executivos voltados ao transporte familiar ou corporativo de alto padrão.
Luxeed R7 supera 1.500 km de autonomia
Já o R7 mede aproximadamente 4,98 metros e pode receber motorização elétrica ou sistema de autonomia estendida, com alcance combinado oficial de até 1.673 quilômetros no ciclo CLTC e até 802 quilômetros usando apenas eletricidade.
Na variante equipada com bateria de 100 kWh, o SUV amplia a distância percorrida sem acionamento do gerador, embora os resultados homologados na China não possam ser comparados diretamente aos números obtidos em testes ou ciclos brasileiros.
Isso ocorre porque temperatura, velocidade média, relevo, carga transportada, uso do ar-condicionado e metodologia de medição interferem no consumo, fazendo com que a autonomia registrada em laboratório possa variar de maneira significativa durante a utilização cotidiana.
Posicionado como sedã da linha, o S7 possui entre-eixos de 2,95 metros, acelera de zero a 100 km/h em 3,3 segundos nas versões com tração integral e oferece alcance de até 855 quilômetros no ciclo CLTC.

Entre os equipamentos eletrônicos, o Huawei ADS 4 pode combinar LiDAR, radares de ondas milimétricas, sensores ultrassônicos e câmeras de alta definição, recursos que auxiliam a condução sem substituir a atenção ou a responsabilidade do motorista.
Chegada de novas marcas ainda depende de confirmação
Até julho de 2026, Lepas e iCaur possuíam planos brasileiros anunciados, enquanto Freelander e Luxeed permaneciam associadas a estudos internos, sem comunicado público que detalhasse datas definitivas, modelos escolhidos, preços, concessionárias ou início das vendas no país.
Caso as quatro bandeiras avancem conforme o planejamento, a Chery International poderá administrar seis marcas independentes no Brasil, reunindo veículos generalistas, aventureiros, familiares e luxuosos dentro de uma estrutura operacional compartilhada, porém com identidades comerciais claramente separadas.
Com tecnologias comuns e propostas voltadas a públicos diferentes, a ofensiva amplia a disputa entre grupos chineses e conglomerados tradicionais, mas uma questão permanece: essa estrutura conseguirá alcançar escala suficiente para sustentar seis marcas no competitivo mercado automotivo brasileiro?







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