Limusine de 30,54 metros usa 26 rodas, dobra no meio, leva mais de 75 pessoas e carrega piscina, minigolfe e heliponto

Limusine de 30,54 metros usa 26 rodas, dobra no meio, leva mais de 75 pessoas e carrega piscina, minigolfe e heliponto
O carro mais longo do mundo/DIvulgação

The American Dream é a maior limusine do mundo, com 30,54 metros, 26 rodas, dois motores V8, piscina, jacuzzi, minigolfe e heliponto.

Um automóvel de 30,54 metros de comprimento, apoiado sobre 26 rodas e equipado com piscina, jacuzzi, cama d’água, campo de minigolfe e uma plataforma capaz de receber um helicóptero parece ter saído de uma produção cinematográfica. Entretanto, esse veículo existe, funciona e é oficialmente reconhecido pelo Guinness World Records.

Batizada de The American Dream, a limusine norte-americana foi construída a partir de Cadillac Eldorado e alcançou o título de carro mais longo do mundo. Sua carroceria é tão extensa que precisou ser dividida em duas seções articuladas, permitindo que o conjunto dobre na região central para enfrentar curvas.

O veículo possui postos de condução nas duas extremidades, pode transportar mais de 75 pessoas e reúne equipamentos que dificilmente seriam encontrados juntos até mesmo em um ônibus de luxo. Depois de anos abandonado e parcialmente destruído, o gigante passou por uma restauração de três anos e voltou a ser apresentado em 2022.

Maior limusine do mundo mede 30,54 metros

A medição oficial realizada em 1º de março de 2022 registrou 30,54 metros, equivalentes a 100 pés e 1,5 polegada. Com esse resultado, The American Dream voltou a superar o próprio recorde estabelecido décadas antes.

O Guinness informa que um automóvel convencional costuma medir entre 3,6 e 4,2 metros. Considerando um veículo de 4,2 metros, a limusine corresponde ao comprimento de aproximadamente sete carros enfileirados:

30,54 ÷ 4,2 = 7,27 carros.

A comparação muda quando são utilizados modelos urbanos muito menores. De acordo com o Guinness, seria possível colocar 12 unidades do Smart Fortwo em sequência e a limusine ainda continuaria mais longa.

A escala também transforma qualquer operação básica em um desafio. Guardar o automóvel exige um espaço semelhante ao de uma pequena instalação industrial, enquanto transportar a estrutura entre cidades demanda desmontagem parcial, carretas e planejamento especial.

Projeto começou com 18,28 metros em 1986

The American Dream foi construída em Burbank, na Califórnia, pelo customizador automotivo Jay Ohrberg. A primeira configuração, concluída em 1986, media 18,28 metros, já utilizava 26 rodas e possuía dois motores V8, instalados nas extremidades dianteira e traseira.

Mesmo essa primeira versão já seria várias vezes maior do que um automóvel convencional. Ohrberg, porém, decidiu ampliar o projeto até aproximadamente 30,5 metros, consolidando o veículo como uma das criações mais extravagantes da indústria de personalização norte-americana.

A base estrutural foi desenvolvida a partir de limusines derivadas do Cadillac Eldorado 1976. Durante a construção original, diferentes seções de carroceria foram combinadas para formar um conjunto único e extremamente alongado.

O projeto não buscava eficiência, velocidade ou praticidade. Sua função principal era chamar atenção em exposições, eventos, produções cinematográficas e apresentações promocionais.

Carroceria dobra no meio para conseguir fazer curvas

Um veículo com mais de 30 metros não conseguiria utilizar a geometria convencional de um automóvel. Se a carroceria fosse completamente rígida, o raio de giro seria enorme e muitas curvas se tornariam fisicamente impossíveis.

Para reduzir esse problema, The American Dream foi construída em duas grandes seções conectadas por uma articulação central. A estrutura pode dobrar no meio durante as manobras, utilizando uma lógica semelhante à encontrada em veículos articulados.

Limusine de 30,54 metros usa 26 rodas, dobra no meio, leva mais de 75 pessoas e carrega piscina, minigolfe e heliponto
O carro mais longo do mundo/DIvulgação

O sistema permite que as duas metades assumam ângulos diferentes durante uma curva. A limusine também pode operar de forma rígida quando a articulação não é necessária.

Há ainda postos de condução nas duas extremidades. Assim, dependendo da configuração operacional, o veículo pode ser conduzido a partir de lados diferentes sem precisar executar uma manobra convencional de retorno.

Mesmo com essas soluções, seu uso continua extremamente limitado. O tamanho da carroceria exige rotas planejadas, áreas abertas e espaço suficiente para que as rodas acompanhem o movimento das duas seções.

Limusine utiliza 26 rodas e dois motores V8

A carroceria é sustentada por 26 rodas, distribuídas ao longo de sua estrutura. A quantidade é necessária para suportar o peso e distribuir os esforços gerados pelos mais de 30 metros de comprimento.

Na configuração original, o automóvel possuía dois motores V8, um na dianteira e outro na traseira. A presença de conjuntos mecânicos nas extremidades estava ligada às proporções incomuns e à possibilidade de condução a partir de ambos os lados.

Durante a restauração, partes do motor, da transmissão, do painel e da cabine precisaram ser removidas. A deterioração era tão avançada que a equipe utilizou componentes provenientes de outros Cadillac Eldorado para reconstruir áreas que já não podiam ser recuperadas.

A estrutura inferior foi descrita durante a recuperação como algo mais próximo de uma treliça de ponte do que do chassi de um automóvel comum. Restaurar a limusine exigiu, portanto, soluções relacionadas não apenas à mecânica, mas também à engenharia estrutural.

Piscina com trampolim ocupa parte da carroceria

Entre os equipamentos mais impressionantes está uma piscina instalada sobre o próprio veículo, acompanhada por um pequeno trampolim. The American Dream também recebeu jacuzzi, banheira e uma grande cama d’água.

A presença de água cria desafios adicionais. Além do peso permanente da estrutura, cada litro acrescentado à piscina representa aproximadamente um quilograma a mais sobre a carroceria.

O volume exato da piscina não foi divulgado pela fonte oficial. Por isso, não é possível calcular com precisão quanto peso o equipamento acrescenta quando está totalmente abastecido.

O projeto ainda inclui geladeira, telefone e diferentes aparelhos de televisão. Esses recursos foram concebidos durante uma época em que dispositivos eletrônicos portáteis eram muito menos comuns, reforçando o posicionamento do veículo como uma vitrine de luxo e excesso.

Heliponto suporta aproximadamente 2,27 toneladas

A extremidade traseira possui um heliponto montado diretamente sobre a estrutura. Segundo Michael Manning, responsável por parte da restauração, a plataforma é sustentada por suportes de aço e pode receber até 5 mil libras.

Convertendo esse limite para o sistema métrico:

5.000 libras × 0,4536 = aproximadamente 2.268 quilos.

Isso corresponde a cerca de 2,27 toneladas. A capacidade é suficiente para determinados helicópteros leves, desde que respeitados os limites estruturais e operacionais da plataforma.

O heliponto não é apenas uma pintura decorativa aplicada sobre o teto. Conforme a descrição registrada pelo Guinness, sua estrutura foi fixada ao veículo por meio de suportes metálicos instalados na parte inferior.

Quando não está sendo utilizado para receber uma aeronave, o espaço pode funcionar como área de minigolfe. Assim, a mesma seção permite pousar um helicóptero ou praticar tacadas sobre a carroceria.

Mais de 75 pessoas cabem dentro do veículo

The American Dream foi projetada para acomodar mais de 75 pessoas. O número ajuda a dimensionar não apenas o comprimento, mas também a área interna disponível ao longo das duas seções.

A configuração dos assentos e dos ambientes pode variar, especialmente porque partes do interior foram reconstruídas durante a restauração. Além das áreas destinadas aos passageiros, uma parcela significativa do veículo é ocupada por equipamentos de lazer.

Limusine de 30,54 metros usa 26 rodas, dobra no meio, leva mais de 75 pessoas e carrega piscina, minigolfe e heliponto
O carro mais longo do mundo/DIvulgação

A limusine não deve ser interpretada como um veículo homologado para transportar normalmente 75 passageiros pelas ruas. A capacidade física informada pelo Guinness não substitui exigências legais de segurança, licenciamento e operação em vias públicas.

Seu tamanho torna o uso cotidiano praticamente inviável. O próprio Michael Manning explicou que a limusine foi restaurada principalmente para exposição, e não para circular regularmente no trânsito.

Fama no cinema não impediu abandono e destruição

Depois de conquistar o recorde em 1986, The American Dream tornou-se uma atração e passou a ser utilizada em aparições cinematográficas e eventos. Entretanto, a dificuldade para guardar, transportar e manter um veículo tão grande reduziu gradualmente sua utilização.

A limusine permaneceu durante anos atrás de um armazém em Nova Jersey. Exposta ao tempo e sem manutenção adequada, acumulou ferrugem, pneus vazios, vidros quebrados e pichações.

Algumas áreas chegaram a um estado em que já não poderiam ser recuperadas. Componentes estruturais, partes da cabine e elementos mecânicos precisaram ser substituídos durante a restauração.

Michael Manning encontrou o veículo em uma exposição automotiva e posteriormente acompanhou um anúncio publicado no eBay. Ele tentou iniciar a recuperação por meio do Autoseum, instituição de ensino técnico automotivo situada em Nova York, mas problemas financeiros e mudanças administrativas interromperam o plano.

Restauração custou mais de US$ 250 mil

Em 2019, Michael Dezer, proprietário do complexo Dezerland Park, encontrou o anúncio da limusine e entrou em contato com Manning. O veículo foi comprado, dividido em duas partes e transportado de Nova York até Orlando, na Flórida.

A recuperação levou três anos e consumiu mais de US$ 250 mil entre transporte, materiais e mão de obra. Estudantes de reparação automotiva, especialistas em carroceria e outros profissionais participaram do trabalho.

A equipe precisou localizar peças incomuns, incluindo o teto de uma antiga Oldsmobile Vista Cruiser que estava armazenado havia cerca de 30 anos. Outros Cadillac Eldorado foram utilizados como veículos doadores.

Em determinadas áreas, não bastava reparar a superfície. A cabine, o motor, a transmissão, o painel e os bancos dianteiros precisaram ser retirados para que uma nova seção mecânica fosse instalada.

Maior carro do mundo virou peça de museu

Após a restauração, The American Dream foi transferida para o Orlando Auto Museum, localizado no Dezerland Park, em Orlando. O museu informa possuir mais de 2 mil veículos distribuídos por 20 ambientes temáticos.

A limusine permanece como uma atração expositiva. Embora tenha voltado a funcionar, seu tamanho impede que seja utilizada como um automóvel convencional.

Colocar o veículo nas ruas exigiria bloquear áreas, estudar cada curva, conferir a altura e a largura dos acessos e garantir espaço para movimentar as duas seções. Uma entrada errada poderia deixar toda a estrutura imobilizada.

The American Dream representa justamente o oposto do que a indústria normalmente procura. Em vez de reduzir peso, consumo e dimensões, seus criadores ampliaram cada elemento até alcançar um limite próximo do absurdo.

O resultado é uma máquina com 30,54 metros, 26 rodas e equipamentos que misturam automóvel, piscina, área de lazer e plataforma aeronáutica. Mais de três décadas após a construção original, a limusine continua detendo um recorde difícil de desafiar, não apenas pelo comprimento, mas pela complexidade necessária para construir, transportar e conservar uma estrutura desse tamanho.

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Repórter de Automotivo

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Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Fala sobre Indústria Automotiva e Tecnologia Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com

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