GWM prepara novo motor, câmbio de 9 marchas e consumo de até 14,1 km/l: turbodiesel 3.0 entrega 231 cv, 63,2 kgfm, reboca 3.500 kg e pode mudar o futuro do Haval H9 e da Poer P30 no Brasil, mas há um detalhe decisivo

Novo motor 3.0 turbodiesel da GWM eleva potência, torque e eficiência e pode resolver a principal crítica a Haval H9 e Poer P30 no Brasil.
Novo motor 3.0 turbodiesel da GWM eleva potência, torque e eficiência e pode resolver a principal crítica a Haval H9 e Poer P30 no Brasil.

Motor 3.0 turbodiesel amplia potência, torque, eficiência e capacidade de reboque da GWM, enquanto Haval H9 e Poer P30 seguem no Brasil com conjunto 2.4 de desempenho mais modesto e sem confirmação oficial de atualização para a nova motorização nos próximos lançamentos nacionais.

Com estreia comercial prevista no exterior, o novo motor 3.0 turbodiesel da GWM entrega 231 cv e 63,2 kgfm, números que podem reduzir a diferença de desempenho entre Haval H9, Poer P30 e seus principais concorrentes no mercado brasileiro.

Desenvolvido inicialmente para o SUV Tank 500 e a picape Cannon Alpha, o propulsor de quatro cilindros deverá chegar à Austrália no terceiro trimestre de 2026, período em que a fabricante já espera iniciar a aproximação comercial com consumidores interessados.

Embora mantenha a mesma arquitetura de quatro cilindros usada no atual 2.4 turbodiesel, a nova unidade amplia de forma expressiva os números de desempenho, elevando a potência de 184 cv para 231 cv e o torque de 480 Nm para 620 Nm.

Convertido para a medida mais familiar ao público brasileiro, esse pico de força corresponde a 63,2 kgfm, resultado que coloca o motor em uma faixa superior àquela oferecida pelo conjunto atualmente empregado nos dois modelos vendidos no país.

Motor 3.0 turbodiesel entrega mais força sem recorrer a um V6

Novo motor 3.0 turbodiesel da GWM eleva potência, torque e eficiência e pode resolver a principal crítica a Haval H9 e Poer P30 no Brasil.
Novo motor 3.0 turbodiesel da GWM eleva potência, torque e eficiência e pode resolver a principal crítica a Haval H9 e Poer P30 no Brasil.

Com 170 kW, aproximadamente 231 cv, e 620 Nm de torque, o motor 3.0 será associado a uma transmissão automática de nove marchas, sistema de tração nas quatro rodas e capacidade para rebocar até 3.500 kg com freio.

Na prática, esse conjunto aproxima a GWM do padrão técnico adotado por picapes e SUVs grandes, ao mesmo tempo que reforça a proposta de oferecer respostas mais consistentes em arrancadas, ultrapassagens, viagens longas e percursos fora de estrada.

Entre os rivais, o V6 turbodiesel de 3,0 litros utilizado pela Ford Ranger e pelo Ford Everest australianos entrega cerca de 250 cv e 600 Nm, preservando vantagem em potência, mas ficando 20 Nm abaixo do novo propulsor da GWM.

Mesmo com dois cilindros a menos, a unidade chinesa alcança torque superior, comparação que destaca o avanço da engenharia sem apagar a diferença de potência entre os conjuntos nem antecipar conclusões sobre desempenho real em condições brasileiras de uso.

Consumo do novo motor diesel melhora apesar do ganho de desempenho

Nos dados divulgados para a Austrália, a Cannon Alpha equipada com o novo motor registra consumo combinado de 7,3 litros de diesel a cada 100 km, enquanto o Tank 500 apresenta resultado ligeiramente melhor, de 7,1 litros por 100 km.

Convertidas para quilômetros por litro, as médias correspondem a aproximadamente 13,7 km/l na picape e 14,1 km/l no SUV, índices obtidos no ciclo australiano ADR e sem qualquer auxílio de motor elétrico ou de outro sistema híbrido.

Segundo os números apresentados pela fabricante, o ganho de potência e torque não veio acompanhado de aumento no consumo homologado, fator que pode favorecer a utilização em viagens, reboques e trajetos longos, desde que os resultados se confirmem fora do laboratório.

Além da eficiência declarada, a entrega mais alta de torque em baixas rotações tende a reduzir o esforço em retomadas e ao transportar carga, embora o comportamento final dependa da calibração, do peso de cada veículo e das condições de rodagem.

Haval H9 mantém motor diesel de 184 cv no Brasil

No Brasil, o Haval H9 continua equipado com motor 2.4 turbodiesel de quatro cilindros, responsável por 184 cv e 480 Nm, sempre combinado à transmissão automática de nove velocidades e a um sistema de tração com modos 4×2, 4×4 e reduzida.

Novo motor 3.0 turbodiesel da GWM eleva potência, torque e eficiência e pode resolver a principal crítica a Haval H9 e Poer P30 no Brasil.
Novo motor 3.0 turbodiesel da GWM eleva potência, torque e eficiência e pode resolver a principal crítica a Haval H9 e Poer P30 no Brasil.

A ficha técnica da linha 2026/2027 informa aceleração de zero a 100 km/h em 13 segundos, enquanto o peso de 2.525 kg e a capacidade de reboque de 2.500 kg ajudam a dimensionar as limitações atuais do conjunto.

A relação entre peso e potência explica parte das críticas ao desempenho do SUV, que oferece sete lugares e estrutura voltada ao uso fora de estrada, mas depende de uma motorização menos forte que a utilizada por concorrentes de proposta semelhante.

Já na Poer P30, o mesmo 2.4 turbodiesel trabalha com câmbio automático de nove marchas, tração 4×4 com reduzida, bloqueio de diferencial e modos de condução preparados para o asfalto e para terrenos com baixa aderência.

Caso a unidade 3.0 seja adotada nos dois veículos brasileiros, o ganho surgiria justamente no ponto em que os números atuais são mais modestos, abrindo espaço para respostas melhores com carga, maior capacidade de reboque e desempenho mais competitivo.

Sem abandonar o diesel, a atualização também permitiria à GWM aproximar Haval H9 e Poer P30 dos rivais que já superam 200 cv, reforçando a competitividade da dupla em um segmento no qual força e capacidade pesam na decisão de compra.

Motor 3.0 da GWM ainda não foi confirmado para o Brasil

Apesar da compatibilidade sugerida pela presença do motor 2.4 nos modelos nacionais, a GWM ainda não anunciou o propulsor 3.0 para o Brasil, mantendo a estreia confirmada restrita ao Tank 500 e à Cannon Alpha destinados inicialmente ao mercado australiano.

Até agora, também não foram divulgados preços, versões ou adaptações necessárias para uma aplicação no Haval H9 e na Poer P30 brasileiros, processo que dependeria de decisão comercial, homologação local e planejamento industrial antes de qualquer lançamento.

Em paralelo, a fabricante confirmou no exterior que pretende ampliar o uso de conjuntos a diesel associados a sistemas híbridos e híbridos plug-in, mas não informou quais mercados receberão essas configurações nem quando elas chegarão efetivamente às concessionárias.

Enquanto essa definição permanece em aberto, o novo 3.0 mostra que a GWM já dispõe de uma alternativa capaz de elevar potência, torque, eficiência e capacidade de reboque, atacando diretamente a principal crítica dirigida aos dois modelos vendidos no Brasil.

Com esse salto técnico, a fabricante deveria priorizar a chegada do motor 3.0 ao Haval H9 e à Poer P30 nacionais, mesmo que a mudança exigisse ajustes de preço, homologação e planejamento industrial para atender às condições específicas do mercado brasileiro?

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