Leapmotor confirma SUV de seis lugares para o Brasil em 2027 enquanto Stellantis desenvolve primeiro sistema elétrico REEV Flex do mundo

Leapmotor C16 chegará ao Brasil em 2027 com seis lugares, até 299 cv e versão de alcance estendido, enquanto Stellantis desenvolve sistema REEV Flex.
Foto: leapmotor-c16/Divulgação

Leapmotor C16 chegará ao Brasil em 2027 com seis lugares, até 299 cv e versão de alcance estendido, enquanto Stellantis desenvolve sistema REEV Flex.

A Leapmotor prepara uma expansão importante de sua operação brasileira. Depois de iniciar as vendas dos SUVs C10 e B10, a marca confirmou que o C16 será importado para o Brasil a partir de 2027, acrescentando ao catálogo um SUV de grande porte, luxuoso e configurado para transportar seis ocupantes.

O lançamento chegará acompanhado por outra frente estratégica da Stellantis. A fabricante começou a desenvolver no Brasil a primeira tecnologia REEV Flex do mundo, na qual um motor capaz de funcionar com gasolina ou etanol será utilizado para gerar eletricidade para o sistema de propulsão.

Os dois projetos não devem ser confundidos. A chegada do C16 e o desenvolvimento do REEV Flex foram confirmados, mas a Stellantis ainda não informou que o SUV importado utilizará o novo sistema bicombustível. Também permanecem indefinidos o preço, as versões e o mês de lançamento do modelo no Brasil.

Leapmotor C16 será importado para o Brasil em 2027

A confirmação mais recente da Leapmotor estabelece que o C16 desembarcará no mercado brasileiro a partir de 2027. Ao contrário dos SUVs B10 e C10, que terão produção nacional no Polo Automotivo de Goiana, em Pernambuco, o modelo de seis lugares será inicialmente importado.

O C16 apareceu publicamente no Brasil durante o Salão do Automóvel de São Paulo de 2025. Na ocasião, a empresa apresentou uma unidade totalmente elétrica e utilizou o evento para mostrar a configuração interna, os recursos tecnológicos e o posicionamento mais sofisticado do veículo.

Com aproximadamente 4,9 metros de comprimento, o C16 ocupa uma categoria superior à do C10. Sua proposta combina três fileiras de assentos, motorização eletrificada, amplo pacote de conectividade e equipamentos voltados principalmente ao conforto dos passageiros.

SUV de seis lugares adota cabine no formato 2+2+2

A cabine é organizada no formato 2+2+2, com dois bancos em cada fileira. Em vez de utilizar um banco inteiriço na segunda fileira, o C16 possui assentos individuais, criando um corredor central e facilitando o acesso dos passageiros à parte traseira.

As duas primeiras fileiras contam com poltronas individuais e ajuste elétrico de inclinação. O modelo exibido pela Leapmotor também possuía mesas retráteis, semelhantes às utilizadas em aviões, instaladas atrás dos bancos dianteiros e dos assentos centrais.

A configuração coloca o C16 em um grupo ainda restrito no mercado brasileiro. A proposta não é apenas oferecer lugares adicionais, mas proporcionar aos ocupantes da segunda fileira uma experiência próxima à encontrada em vans executivas e SUVs de luxo.

Tela de 15,6 polegadas transforma segunda fileira em espaço de entretenimento

Um dos elementos mais chamativos do interior é a tela de entretenimento de 15,6 polegadas instalada para os passageiros da segunda fileira. O equipamento pode reproduzir diferentes tipos de conteúdo durante viagens e deslocamentos urbanos.

O sistema de áudio possui 21 alto-falantes, configuração 7.1.4 e tecnologia Dolby Atmos. A proposta é distribuir o som por toda a cabine, incluindo os ocupantes acomodados na terceira fileira.

Na parte dianteira, as funções do veículo são controladas por uma central multimídia LeapOne de 14,6 polegadas, equipada com recursos de inteligência artificial DeepSeek. A configuração apresentada no Salão do Automóvel ainda poderá sofrer alterações antes do início das vendas brasileiras.

Compartimento de 8,1 litros aquece ou refrigera alimentos

Entre os bancos do motorista e do passageiro dianteiro, o C16 possui um compartimento climatizado com capacidade de 8,1 litros. O equipamento pode refrigerar ou aquecer alimentos e bebidas armazenados em seu interior.

O recurso reforça o posicionamento do modelo como um SUV voltado a viagens longas e ao transporte familiar. Em vez de funcionar apenas como um porta-objetos, o compartimento utiliza controle térmico para manter diferentes produtos na temperatura selecionada.

Esse tipo de solução, comum em automóveis de luxo vendidos na China, ainda é pouco encontrado nos SUVs comercializados no Brasil. Não consigo confirmar se o equipamento estará presente de série em todas as versões brasileiras do C16.

Leapmotor C16 elétrico entrega 299 cv e acelera em 6,5 segundos

O C16 elétrico apresentado oficialmente no Brasil utiliza um motor de 299 cv e torque de 360 Nm, equivalente a aproximadamente 36,7 kgfm. Apesar das dimensões e da capacidade para seis passageiros, o SUV acelera de zero a 100 km/h em 6,5 segundos.

A motorização totalmente elétrica elimina a ligação mecânica com motores a combustão. A energia armazenada na bateria alimenta diretamente o motor elétrico responsável por movimentar o veículo.

Leapmotor C16 elétrico entrega 299 cv e acelera em 6,5 segundos
Leapmotor C16 elétrico entrega 299 cv e acelera em 6,5 segundos

A Leapmotor ainda não divulgou a capacidade da bateria, a autonomia homologada no Brasil nem o padrão definitivo de recarga da configuração que chegará em 2027.

Os números internacionais não podem ser tratados como resultados brasileiros porque os ciclos de homologação utilizam metodologias diferentes.

Versão REEV supera 1.000 quilômetros no ciclo NEDC

Além do modelo totalmente elétrico, o C16 possui internacionalmente uma configuração Ultra-Híbrida com tecnologia REEV. A fabricante informa autonomia combinada superior a 1.000 quilômetros pelo ciclo NEDC, utilizado como referência em determinados mercados.

REEV é a sigla em inglês para veículo elétrico com extensor de autonomia. Nesse sistema, as rodas são movimentadas pelo motor elétrico, enquanto o propulsor a combustão trabalha exclusivamente como gerador de energia.

A autonomia superior a 1.000 quilômetros não representa necessariamente o alcance que será registrado em uma eventual homologação brasileira. O resultado depende da versão, da bateria, do combustível, das condições de rodagem e do método utilizado no teste.

Como funciona a motorização elétrica com extensor de autonomia

Em um híbrido convencional, o motor a combustão pode movimentar diretamente as rodas, sozinho ou em conjunto com o propulsor elétrico. No sistema REEV utilizado pela Leapmotor, essa ligação mecânica não ocorre.

O motor elétrico permanece responsável pela tração durante todo o percurso. Quando a carga da bateria diminui, o propulsor a combustão entra em funcionamento para movimentar um gerador, produzir eletricidade e ampliar a distância que o veículo consegue percorrer.

O motorista também pode conectar o automóvel a um carregador externo, como ocorre com um híbrido plug-in. Caso não encontre um ponto de recarga durante a viagem, pode abastecer o tanque e utilizar o gerador para continuar o deslocamento.

Stellantis desenvolve primeiro REEV Flex do mundo no Brasil

A Stellantis informou em abril de 2026 que seu centro de engenharia sul-americano iniciou o desenvolvimento da primeira aplicação REEV Flex do mundo. O projeto permitirá que o motor utilizado como gerador opere com gasolina, etanol ou qualquer mistura entre os dois combustíveis.

O trabalho é liderado pela equipe regional da fabricante e será incorporado aos veículos Leapmotor produzidos no Brasil. Os primeiros modelos confirmados para fabricação no complexo de Goiana são os SUVs B10 e C10.

A companhia ainda não revelou qual deles estreará a tecnologia, a potência do motor gerador, a capacidade da bateria ou o início comercial da produção. Também não foram apresentados dados oficiais de consumo, autonomia e emissões da configuração flex.

Etanol pode mudar a lógica do extensor de autonomia

O emprego do etanol diferencia o projeto brasileiro das configurações REEV internacionais, normalmente desenvolvidas para utilizar apenas gasolina. No novo sistema, o combustível renovável poderá alimentar o motor que produz eletricidade para a bateria.

Isso não transforma o automóvel em um carro movido diretamente a etanol. A tração continuará elétrica, enquanto o combustível será queimado apenas no motor gerador quando o sistema precisar recuperar energia ou ampliar o alcance.

A eficiência final dependerá da calibração, do tamanho da bateria e da estratégia eletrônica adotada pela Stellantis. Sem os resultados oficiais de homologação, não é possível determinar quanto o uso de etanol reduzirá emissões ou alterará o consumo do veículo.

Segurança inclui proteção para as três fileiras

O C16 possui airbags de cortina que se prolongam da primeira até a terceira fileira. A carroceria apresentada pela empresa é composta em 75% por aços de alta resistência e alumínio.

Entre os recursos eletrônicos está o modo sentinela, que utiliza as câmeras externas para registrar imagens ao redor do automóvel quando ele está estacionado. O sistema pode auxiliar no acompanhamento de movimentações próximas ao veículo.

O Park Assist consegue memorizar locais utilizados frequentemente e realizar manobras automáticas de estacionamento. A disponibilidade e o funcionamento desses recursos no Brasil dependerão da configuração homologada pela fabricante.

Produção nacional de B10 e C10 sustenta expansão da Leapmotor

Enquanto prepara a importação do C16, a Leapmotor avança no plano de fabricar B10 e C10 em Pernambuco. O Polo Automotivo de Goiana está sendo ampliado para receber a estrutura necessária à produção dos dois SUVs eletrificados.

A nacionalização pode reduzir custos logísticos, aproximar fornecedores e facilitar o abastecimento de peças. Entretanto, a Stellantis ainda não informou o índice inicial de componentes nacionais nem os preços que os veículos terão depois do início da fabricação brasileira.

A operação também é acompanhada pela ampliação da rede comercial. Em junho de 2026, a Leapmotor possuía 38 concessionárias e planejava mais que dobrar esse número até o final do ano, alcançando todos os estados e o Distrito Federal.

C16 amplia disputa entre SUVs eletrificados de grande porte

A chegada do C16 permitirá que a Leapmotor avance para uma faixa superior do mercado. O modelo não pretende disputar apenas com SUVs compactos ou médios, mas com veículos de três fileiras que priorizam espaço, tecnologia e conforto.

Seu conjunto reúne seis assentos, central multimídia com inteligência artificial, tela traseira, compartimento climatizado, áudio com 21 alto-falantes e uma versão elétrica capaz de entregar 299 cv.

O preço será decisivo para determinar sua posição no Brasil. Até o momento, a Leapmotor confirmou apenas a importação a partir de 2027, sem informar versões, valores, quantidade de unidades ou data exata de chegada às concessionárias.

Avatar photo

Repórter de Automotivo

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99,…

Experiência:
Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Fala sobre Indústria Automotiva e Tecnologia Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com

Ver todas as matérias deste autor

Comentários

Deixe seu comentário

Seu e-mail é obrigatório, nunca é publicado e serve apenas para moderação.

Conteúdos recentes