Pela primeira vez, Brasil tem 3 carros elétricos entre os 10 mais vendidos; confira

Resultado inédito no mercado brasileiro colocou três modelos totalmente elétricos entre os dez veículos mais emplacados de julho, reforçou a presença das montadoras chinesas e mostrou como BYD Dolphin Mini, BYD Dolphin e Geely EX2 passaram a disputar espaço direto com carros tradicionais a combustão.

Em julho de 2026, o mercado automotivo brasileiro registrou um marco inédito, pois três carros totalmente elétricos terminaram o mês entre os dez veículos mais emplacados do país, considerando o ranking geral de automóveis de passeio e comerciais leves.

Segundo o levantamento da consultoria K.Lume, BYD Dolphin Mini, BYD Dolphin e Geely EX2 ocuparam, respectivamente, a sexta, a oitava e a nona posições, resultado que ampliou a presença dos modelos movidos exclusivamente a bateria entre os líderes nacionais.

Responsáveis pelo feito, os três hatches chineses somaram 19.655 unidades emplacadas, volume equivalente a 76,3% dos 25.764 veículos elétricos puros registrados no Brasil durante o mês, que também estabeleceu um novo recorde para a categoria.

Elétricos chineses avançam no ranking de julho

No topo do segmento elétrico, o BYD Dolphin Mini alcançou 7.265 emplacamentos e terminou julho na sexta colocação geral, atrás somente de Fiat Strada, Volkswagen Polo, Volkswagen Tera, Chevrolet Onix e Fiat Argo.

Logo depois, o Volkswagen T-Cross ocupou o sétimo lugar, enquanto o BYD Dolphin apareceu na oitava posição com 6.492 registros, seguido pelo Geely EX2, que garantiu a nona colocação ao contabilizar 5.898 unidades.

Fechando o grupo dos dez primeiros, o Hyundai Creta terminou o período com 5.880 emplacamentos, apenas 18 unidades abaixo do EX2, diferença que evidencia o equilíbrio entre modelos elétricos e veículos tradicionais nas posições intermediárias do levantamento.

Embora pertençam a categorias, faixas de preço e modalidades comerciais distintas, os três elétricos também ficaram à frente de modelos conhecidos, como Fiat Toro, Chevrolet Tracker, Volkswagen Saveiro e Fiat Mobi, dentro do resultado consolidado de julho.

Para interpretar essa comparação, é necessário considerar que o ranking reúne tanto compras realizadas por consumidores no varejo quanto vendas diretas destinadas a empresas, locadoras e frotistas, operações que podem influenciar o desempenho mensal de determinados veículos.

Montadoras chinesas atingem participação recorde

Durante o mesmo período, as fabricantes chinesas registraram forte crescimento no mercado brasileiro e somaram 60.486 automóveis e comerciais leves emplacados, quantidade 17,9% superior à observada em junho, conforme os números reunidos pela consultoria K.Lume.

Com esse avanço, as marcas de origem chinesa alcançaram 22,8% de participação mensal, o maior percentual já registrado no país, enquanto o índice acumulado entre janeiro e julho de 2026 chegou a 17,6% do mercado nacional.

Na liderança desse movimento, a BYD encerrou julho com 23.465 veículos emplacados e participação de 9,1%, desempenho que representou o melhor resultado mensal da companhia no Brasil e garantiu a quarta posição entre as montadoras presentes no país.

Mesmo com a ampliação da oferta de modelos elétricos, os dados mostram que o segmento permaneceu concentrado, pois mais de três quartos dos veículos movidos exclusivamente a bateria vendidos em julho pertenciam ao Dolphin Mini, ao Dolphin e ao EX2.

Dolphin Mini consolida desempenho comercial

Lançado no Brasil em fevereiro de 2024, o Dolphin Mini ampliou rapidamente sua participação entre os elétricos e, dois anos depois, tornou-se o primeiro automóvel totalmente elétrico a liderar o ranking mensal de vendas realizadas no varejo brasileiro.

Desde o início da montagem no complexo industrial da BYD em Camaçari, na Bahia, o compacto passou a combinar maior presença comercial com a estratégia da fabricante de expandir sua produção local e incorporar componentes nacionais aos veículos.

Voltado principalmente aos deslocamentos urbanos, o modelo mede 3,78 metros de comprimento, 1,71 metro de largura e 1,58 metro de altura, enquanto a distância entre os eixos alcança 2,50 metros e o porta-malas comporta 230 litros.

Na parte mecânica, o motor elétrico instalado no eixo dianteiro entrega 75 cv de potência e 13,8 kgfm de torque, permitindo aceleração de zero a 100 km/h em 14,9 segundos e velocidade máxima declarada de 130 km/h.

Equipado com uma bateria Blade de fosfato de ferro-lítio e capacidade de 38 kWh, o Dolphin Mini oferece autonomia declarada de até 280 quilômetros, conforme o Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular aplicado pelo Inmetro.

BYD Dolphin registra seu melhor mês

Posicionado acima do Dolphin Mini, o BYD Dolphin alcançou em julho o maior volume mensal desde sua chegada ao mercado brasileiro, mantendo a oferta composta pelas versões GS, Plus e Special Edition, todas ainda importadas da China.

Enquanto a configuração GS utiliza motor elétrico de 95 cv e bateria de 44,9 kWh, com autonomia de 291 quilômetros, o Dolphin Plus entrega 204 cv e emprega um conjunto de 60,4 kWh para percorrer até 330 quilômetros.

Já o Dolphin Special Edition adota alterações visuais, motor de 177 cv e torque de 29,6 kgfm, além de uma bateria com capacidade de 45,1 kWh, responsável por uma autonomia de 272 quilômetros segundo o padrão brasileiro.

Ao reunir diferentes níveis de potência, capacidade de bateria e alcance, a linha Dolphin atende desde consumidores concentrados em percursos urbanos até motoristas interessados em desempenho superior e maior autonomia para deslocamentos mais longos.

Geely EX2 prepara produção no Paraná

Entre os protagonistas do resultado de julho, o Geely EX2 completou o trio de elétricos no top 10 ao atingir 5.898 emplacamentos, após chegar ao mercado brasileiro em novembro de 2025 nas configurações Pro e Max.

Nas duas versões, o hatch utiliza motor elétrico instalado no eixo traseiro, capaz de entregar 116 cv de potência e 15,3 kgfm de torque, acompanhado por uma bateria de fosfato de ferro-lítio com capacidade de 39,4 kWh.

Com esse conjunto, o EX2 alcança autonomia de até 289 quilômetros pelo padrão do Inmetro e permanece importado da China, embora a fabricante já tenha programado sua montagem no Complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais, no Paraná.

Previsto para entrar em produção nacional até o fim de 2026, o hatch será montado na unidade Curitiba Veículos Utilitários e se tornará o segundo modelo da Geely fabricado no país, depois do utilitário esportivo híbrido plug-in EX5 EM-i.

Com a operação da BYD em Camaçari e a futura fabricação do EX2 no Paraná, dois dos três elétricos presentes no top 10 de julho terão montagem nacional, enquanto as marcas chinesas ampliam redes comerciais e participação no mercado brasileiro.

Esse avanço dos carros elétricos entre os mais vendidos será mantido nos próximos levantamentos do mercado brasileiro?

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