José Muñoz afirma que a fabricante pretende combinar produção nacional com capacidade disponível na Ásia, ampliar a presença de elétricos e manter projetos flex e híbridos flex enquanto avalia alternativas para aumentar a capacidade produtiva da operação brasileira.
A Hyundai pretende importar veículos produzidos na China e na Índia para aumentar seu volume de vendas no Brasil. A estratégia foi detalhada pelo CEO global da fabricante, José Muñoz, durante o Investor’s Day 2026, em entrevista a um grupo de jornalistas.
A mudança amplia o plano que a empresa vinha preparando para o país. Além dos projetos flex e híbridos flex, a fabricante decidiu incluir mais carros elétricos em seu portfólio brasileiro e recorrer à capacidade produtiva disponível fora do Brasil enquanto estuda uma expansão regional.
“Se você me perguntasse a mesma questão há um ano, eu diria que os planos eram [investir em modelos] flex e híbridos, mas sem elétricos. Agora, também temos os elétricos [nos planos]”, afirmou Muñoz, em declaração reproduzida pela Autoesporte.
O executivo relacionou a revisão da estratégia à evolução do mercado brasileiro de veículos elétricos e à necessidade de ampliar a capacidade de vendas. Atualmente, a Hyundai comercializa no país o Ioniq 5 como seu modelo totalmente elétrico, ainda com baixo volume de emplacamentos.
A fábrica de Piracicaba, no interior de São Paulo, tem capacidade informada de 215 mil veículos por ano e produz modelos destinados ao mercado brasileiro. Com a unidade operando próxima desse limite, a importação passa a ser uma das alternativas para aumentar a oferta antes de uma eventual ampliação industrial.
Muñoz também destacou a posição da marca no segmento de SUVs compactos, no qual o Creta tem forte presença no varejo. Para o executivo, o desempenho atual dá sustentação a planos de crescimento que agora passam a considerar diferentes origens de produção.
Índia entra no plano para abastecer o Brasil

A capacidade industrial da Hyundai na Índia foi apontada diretamente por Muñoz como uma oportunidade para o mercado brasileiro. A operação no país asiático pode produzir cerca de 1,1 milhão de veículos por ano e tem expansão prevista de capacidade até 2030.
“Nossa capacidade [de produção aumentada] em Pune representa uma oportunidade para o Brasil, além da capacidade [produtiva] já existente na China”, afirmou o CEO. Ele explicou que a estratégia deverá combinar produção brasileira com veículos vindos das operações asiáticas.
O plano mantém os projetos locais no centro da operação. “Então, [combinaremos] produção local, capitalização da capacidade da Índia aumentada e a capacidade existente da China”, disse Muñoz, ao acrescentar que os modelos híbridos e flex desenvolvidos localmente continuarão fazendo parte da estratégia.
A Índia também reúne produtos que poderiam se encaixar no mercado brasileiro, embora a Hyundai ainda não tenha confirmado quais serão importados. Entre as possibilidades citadas pela Autoesporte estão o Alcazar, SUV de sete lugares derivado do Creta, e o Creta Electric.
O Ioniq 5 é outro modelo que poderia receber volumes adicionais a partir de uma origem diferente, caso a operação permita condições comerciais mais competitivas. A fabricante, porém, não anunciou preços, versões, datas de chegada ou volumes de importação para nenhum desses veículos.
Durante o Investor’s Day, a Hyundai também confirmou planos para produzir na Índia um novo SUV compacto elétrico. O projeto deverá ficar abaixo do Creta em porte, mas não houve anúncio de que esse veículo será destinado ao mercado brasileiro.
China também pode fornecer novos modelos
A China forma a outra frente citada diretamente pelo CEO. A Hyundai possui produção no país em parceria com a Baic e poderá utilizar essa capacidade para abastecer o Brasil com veículos escolhidos conforme sua estratégia comercial.
Entre os produtos considerados possíveis pela reportagem estão o Santa Fe e a nova geração do Tucson. O Santa Fe já havia sido relacionado ao mercado brasileiro, mas ainda não foi lançado no país e terá uma variante de autonomia estendida dentro da estratégia internacional da marca.
A lista de possibilidades também inclui o Elexio, SUV médio elétrico produzido para o mercado chinês. Uma eventual chegada colocaria a Hyundai em uma faixa disputada por SUVs elétricos de fabricantes chinesas, mas não existe confirmação de importação desse modelo para o Brasil.
Sedãs como Elantra e Sonata, que já tiveram presença no mercado brasileiro em outros períodos, aparecem igualmente entre os veículos que poderiam ser utilizados como produtos de imagem. Novamente, a empresa não informou se algum deles integra um plano comercial efetivamente aprovado.
A ofensiva de importados não substitui o desenvolvimento de veículos nacionais. A Hyundai pretende manter investimentos em tecnologias flex e híbridas flex e já havia anunciado aproximadamente US$ 1 bilhão em investimentos relacionados à operação brasileira e a novos projetos.
Muñoz afirmou ainda que uma ampliação da capacidade produtiva no Brasil continua em discussão dentro do grupo, mas não apresentou detalhes sobre volume adicional, local ou cronograma. Até que essa definição avance, Índia, China e produção local formam as três frentes indicadas pela Hyundai para sustentar seu crescimento no mercado brasileiro.






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